Dr. Campos Lopes
Esta é a publicação número 50 desde há pouco mais de 4 anos, com uma média de quase uma publicação por mês.
Este ano faz 50 anos que comecei a frequentar a Faculdade de Medicina do Porto e o Hospital de São João, onde me deparei pela primeira vez com o símbolo do hospital.
Uns anos mais tarde estagiei no St. John’ s Eye Hospital, uma referência no treino de oftalmologistas no mundo anglo-saxónico, e mais uma vez lá estava o símbolo da cruz de oito pontas.
A ordem de São João de Acre ou dos Hospitalários foi criada por um grupo de comerciantes da República de Amalfi para ajudar os peregrinos que iam a Jerusalém, por volta do ano de 1048.
Aquando do início das cruzadas transformou-se em ordem militar, mas continuou com a tarefa de proteger os doentes e peregrinos.
Após a queda de Acre mudou-se para Chipre e posteriormente para Rodes e Malta quando estas cidades deixaram de ser cristãs.
Em Portugal a sua implantação vem do tempo de D. Teresa que doou a esta ordem o convento de Leça do Bailio em 1122 e assim esta seria a primeira ordem a implementar-se em território que viria a ser Portugal.
A designação de Leça do Bailio deve-se a que o principal dignatário do mosteiro era designado por bailio. Depois do mosteiro primitivo foi construído o edifício amuralhado no início do século XIV, que ainda hoje se pode visitar.
Por ali passaram D. Afonso Henriques e D. Mafalda, ali se realizou o casamento D. Fernando com D. Leonor Telles e também ali D. Nuno Álvares Pereira incitou o povo antes da batalha de Aljubarrota.
A ordem cresceu e foi-lhe doada por D. Sancho I a terra onde mais tarde foi edificado o castelo de Belver (pois tinha uma bonita paisagem ), perto de Abrantes, e posteriormente transferiu-se para o Crato, sede do priorado.
O símbolo da ordem continua a ser a Cruz de 8 pontas que se vê espalhada, como símbolo heráldico, pelo nosso país.
Como curiosidade e a propósito do mosteiro, há pouco mais de 50 anos existia no Porto na rua de Júlio Dinis, junto ao Palácio de Cristal, uma fábrica de cerveja.
A esplanada era um ícone da cidade, onde serviam a cerveja com o nome do Palácio - Cristal ( a marca de cerveja mais antiga do país ), em copos esguios ( finos ), com uma oferta de um pratinho de camarões.
A fábrica mudou-se para a zona industrial a norte, junto ao mosteiro, e a garrafa passou a ter gravado no vidro Leça do Balio.